Pular para o conteúdo principal

Tutela Provisória e a sistematização das tutelas de urgência no novo Código de Processo Civil

As tutelas de urgência receberam tratamento diferenciado no novo Código de Processo Civil. No CPC/73, a tutela antecipada é retratada no Livro referente ao processo de conhecimento e a tutela cautelar é regulamentada no Livro específico voltado para o processo cautelar comum e para as cautelares específicas. A denominada tutela de evidência perpassam alguns dispositivos do código mais especificamente no art. 273,§6º e no art. 285-A do CPC/73. A Lei nº 13.105/2015 sistematizou as tutelas de urgência e a tutela evidência, na Parte Geral, Livro V, sob o título de Tutela Provisória. Nesse sentido, a tutela provisória tem como escopo a cognição sumária de causas que necessitem de provimento urgente, onde possam ocorrer riscos de dano gravo ou de difícil reparação, na modalidade de cautelar ou antecipatória (art. 300) e nos casos de tutela de evidência, onde não há necessidade de provimento jurisdicional urgente, mas a evidência do direito pleiteado exsurge como forma de tutelar de forma célere o direito do autor ou do réu (art. 311). A alteração ocorre, nesse sentido, na forma de sistematização das tutelas de urgência e da tutela de evidência, com poucas inovações. A primeira inovação corresponde a eliminação do extenso rol de cautelares típicas e medidas provisionais. O novo CPC optou por ampliar o poder geral de cautela estampado no arts. 300 e 301, possibilitando o deferimento, pelo juiz, de tutelas de urgência, de natureza cautelar ou antecipada, de acordo com requerimento formulado pelo autor e pelas circunstâncias do caso concreto. Constata-se, portanto, que houve ampliação do sistema de fungibilidade entre as tutelas de urgência. A estabilização da antecipação de tutela antecedente constitui uma das inovações que mais causará dúvida na prática judiciária. No regime de tutelas de urgência regulamentado pelo novo CPC, o autor poderá formular unicamente requerimento de antecipação de tutela antecedente, sem apresentar, num primeiro momento, o pedido principal. Nesses casos, deferida a tutela antecipada e após a manifestação do réu, sem interposição de recurso, os autos serão arquivados estabilizando-se os efeitos da tutela deferida anteriormente, nos termos do art. 304 do CPC/2015. Segundo o parágrafo 6º do art. 304, estabilizada a tutela o processo será extinto, operando-se tão somente a coisa julgada formal. As hipóteses de tutela de evidência foram ampliadas no NCPC. Segundo o art. 311, a tutela de evidência será concedida quando: a) ficar caracterizado o abuso do direito de defesa; b) as alegações de fato puderem ser comprovadas por documento e houver tese firmada em julgamento de recurso repetitivo ou em súmula vinculante; c) nos pedidos reipersecutório fundado em contrato de depósito; d) a petição inicial for instruída com prova documental dos fatos constitutivos do direito do autor e que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. Nessas hipóteses o juiz poderá julgar antecipadamente a lide, considerando a evidência do direito pleiteado em juízo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Aspectos Processuais da Alienação Fiduciária em Garantia

1 – Introdução O Estado tem o dever de realizar de forma eficaz os direitos através do processo. Neste cotejo, diante de direitos que exijam um tutela diferenciada para ser efetivado, não contemplada pelo procedimento comum, o Estado deve garantir um procedimento específico com vistas a alcançar a maior efetividade do processo num prazo razoável. Destarte, o Código de Processo Civil elenca diversos procedimentos especiais em seu Livro IV, Título I. Com efeito, a existência de um direito material implica, necessariamente, a correlação, no plano do direito processual, de um procedimento adequado. Não sendo assim, se estaria diante de uma situação paradoxal pois o direito material seria previsto abstratamente mas irrealizável concretamente. [1] A alienação fiduciária de bens imóveis, regida pela Lei 9.514/97, e móveis, regida pelo Decreto 911/69, alterado pela Lei nº 10.931/2004, tratam de um direito material específico, de grande importância social e jurídica ante a su...

Algumas notas sobre o procedimento da Fase executiva ou Cumprimento de sentença – Art. 475-J do CPC (Lei 11.232/05)

1 – Introdução O processo de execução passou por diversas transformações nos últimos anos ensejando, por assim dizer, uma nova execução. A principal característica da nova execução, sobretudo no que diz respeito aos títulos executivos judiciais, é criação do processo sincrético onde a execução passa a ser apenas uma fase do processo e não mais um processo autônomo. Esta mudança tem reflexos importantes na prática da fase executiva pois a execução é um mero desdobramento da fase de conhecimento. A fase executiva inicia-se com o cumprimento de sentença conforme dispõe o art. 475-J do Código de Processo Civil e desenvolve-se como continuidade da fase de conhecimento. É importante dizer que a execução de títulos executivos extrajudiciais permanece como um processo autônomo, pois a certeza, liquidez e exigibilidade já estão presentes no título, o que dispensa um processo de conhecimento onde as partes debateram exaustivamente. O objeto do presente artigo é a execução de título ...

Competência da Justiça Federal no novo CPC

A competência da Justiça Federal foi definida, inicialmente, pela Lei nº 5.010/66. Nesse sentido, compreende-se a razão pela qual o Código de Processo Civil de 1973 não tratou especificamente das regras relacionadas à competência da Justiça Federal. No entanto, com a promulgação da Constituição Federal de 1988, tanto a estrutura do Poder Judiciário, como um todo, e a competência da Justiça Federal (arts. 108 e 109), em especial, foram tratados de forma detalhada no texto constitucional ampliando, nesse contexto, o escopo da organização judiciária nacional. Com efeito, inúmeras questões e polêmicas surgiram acerca da interpretação das normas constitucionais sobre a extensão da competência da Justiça Federal obrigando os tribunais superiores, em especial o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça, a editar súmulas e firmar precedentes judiciais com objetivo de uniformizar o entendimento acerca da competência desse ramo da justiça comum. Transcorridos 27 anos da promul...